Recuparação de dados

"Eu acreditava no sistema operacional,
até que formataram minha família..."
Não é fácil. Esbarrar no del sem querer pode acontecer na vida de qualquer um. A mais de 10 anos eu trabalho na área da TI com infra-estrutura. Já lidei com storages que armazenavam a vida de empresas e felizmente me sai bem em todas as operações críticas que precisei realizar nestes equipamentos. Vivem dizendo por ai que é a experiência em larga escala passa confiança e no final é o que leva a um tombo. Dito e feito (ou não).
No último final de semana eu fui visitar meu sogro na casa da mãe dele. A última vez em que eu o vi foi no meu casamento no final de 2008. O ambiente familiar estava ótimo e eu até ganhei um Grant's 8 anos dele, foi tudo bacana. Descobri que ele tomou vergonha na cara e comprou uma camera decente. Fiquei embasbacado com a camera digital, 12MPixel e milhares de funções. Como ele sabe que eu gosto dos eletrônicos, já foi me enchendo de perguntas. Não passou muito tempo e eu já estava sabendo como fazer diversas operações com o pequeno brinquedo. Até ai tudo bem. Uma das perguntas que ele fez foi como seria para mudar o formato de foto de 12Mb para 3Mb, naveguei pelo menu matricial da Sony e encontrei um item escrito "Formato". Logo acionei esta opção e ao fazer, perdi todas as fotos sem choro e nem vela. O único problema é que esta camera estava usando Português de Portugal e a palavra "Formato" se refere a formatar e eu infelizmente perdi todas as fotos que ele vinha tirando desde Rondonia até São Paulo.
Bem, não é preciso dizer que o tempo fechou. Algum tempo passou, eu nervoso pra cacete resolvi não levar desaforo. Imagina o que ia ser ouvir sua própria sogra depois dizendo pela família: Olha lá o cara trabalha com TI e não sabe mexer na camera digital, pra não dizer coisa pior.
Recolhi a camera e levei pra casa. Falei que entregava no outro dia. Eu nem sabia o que teria que fazer para recuperar. Fiquei tão chateado com o que aconteceu que sai meio atordoado de lá. Chegando em casa, tomando o Grant's para relaxar e aliviar as idéias pensei diversas maneiras de como teria que recuperar os benditos dados. Foi ai começei a lembrar das aulas que tive de filesystem com o Cuqui em 2003 no iG e a usar isto para pensar sobre como seria toda esta teoria para uma flash de máquina digital. Bingo. O dado não foi removido pois se assim fosse a máquina deixaria o usuário esperando por muito tempo, pois a operação de zerar cada bit da flash da máquina leva muito tempo (10MB ~ 12 segundos). A remoção que a máquina faz para passar a impressão ao usuário de que a flash está vazia é mudar valores especiais no filesystem e como estes valores não ultrapassam o length de alguns bits, logo a operação de remoção parece ser em tempo real. Bem, com a linha de raciocínio montada, não foi dificil imaginar que o que eu precisava era de um leitor de volume em baixo nível associado a um reconhecedor de formato, que no caso era o JPG, pois a operação iria envolver a leitura da flash desrespeitando a formatação do filesystem. Traduzindo: As fotos poderiam ser recuperadas.
Com ajuda do google encontrei diversas ferramentas, uma delas free para Windows (ainda tenho o software instalado em minha máquina). Para meu alívio, escapei de ter que escrever algo para implementar a teoria toda mencionada acima. Salvei o programa e rodei. Foi perfeito. Comecou a ler o flash da máquina e encontrar as imagens que haviam sido apagadas. A sensação de alívio foi automática.
Nunca me senti tão bem, no dia seguinte levei a máquina conforme prometido. O melhor foi ver a cara de espantado do sogrão falando: Porra meu, você conseguiu recuperar?! Eu disse: Pois é, agora a culpa é do Grant's...
Marcadores: backup, câmera digital, filesystem, flash, formatar, máquina fotografica, recuperação de dados

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