quarta-feira, 27 de novembro de 2002

Poesia Matemática

Às folhas tantas
Do livro matemático
Um Quociente apaixonou-se
Um dia
Doidamente
Por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
E viu-a, do Ápice à Base,
Uma Figura Ímpar;
Olhos rombóides, boca trapezóide,
Corpo ortogonal, seios esferóides.
Fez da sua
Uma vida
Paralela a dela
Até que se encontraram
No Infinito.
"Quem és tu?" indagou ele
Com ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
- O que, em aritmética, corresponde
A alma irmãs -
Primos-entre-si.
E assim se amaram
Ao quadrado da velocidade da luz
Numa sexta potenciação
Traçando
Ao sabor do momento
E da paixão
Retas, curvas, círculos e linhas senoidais
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas
euclideanas
E os exegetas do Universo Finito,
Romperam convenções newtonianas
e pitagóricas.
E, enfim, resolveram se casar
Constituir um lar.
Mais que um lar.
Uma Perpendicular.
Convidaram para padrinhos
O Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas
para o futuro
Sonhando com uma felicidade
Integral
E diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
Muito engraçadinhos.
E foram felizes
Até aquele dia
Em que tudo, afinal,
Vira monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Freqüentador de Círculos Concêntricos.
Viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
Uma Grandeza Absoluta,
E reduziu-a a um Denominador Comum.
Ele, Quociente, percebeu
Que com ela não formava mais Um Todo.
Uma Unidade. Era o Triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era a fração
Mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a
Relatividade.
E tudo que era expúrio passou a ser
Moralidade

Como aliás, em qualquer
Sociedade.


Millôr Fernandes
(Em: "Trinta anos de mim mesmo")

domingo, 17 de novembro de 2002

Finalmente! Em menos de 2 horas estarei a postos para iniciar o motor da máquina que permiti criar-se em mim. Agora, as palavras de valor são cautela e atenção, pois todo detalhe acatado deve ser usado como combustível para o perfeito funcionamento deste motor. Nada de desistências! O percurso é longo, contendo trechos áridos, estradas esburacadas, tempestades, tudo poderá influir para que caia em uma desistência, mas peço a Deus para que me dê fé, pois é disso que eu preciso para poder passar por tudo isso e chegar intacto no final.

Um abraço a você que torçe por mim.

Fabiano

terça-feira, 12 de novembro de 2002

Mesmo que ganhe, sentirá a dor da solidão.
Mesmo que perca, sentirá a dor da busca pela perfeição.
Movimentos antagônicos...
Estratégias e pensamentos...

sábado, 2 de novembro de 2002

O velho homem e a criança surda.

Yassin pergunta:

-- Os tanques vieram aqui também?
-- Como é que eu vou saber? Fica queto!
-- É claro que eles vieram. O homem da lojinha não tem mais voz, o vigia não tem mais voz... Vô os russos vieram tirar a fala de todo mundo? O que eles fizeram com todas as vozes? Por que você deixou eles pegarem tua voz? É porque do contrário eles iam te matar?

(Livro Terra e Cinzas p. 42, 43. - Editora Estação Liberdade)



É preciso saber viver.

Não procure nos outros o que podes encontrar em sí.
Deixe para depois, bem depois.
Ao final, verás que tudo se encaixa,
é tudo uma questão de tempo...
Com muita luta e coragem,
Por debaixo dos galhos da solidão,
Ganharás novo aprendizado
Neste, grande maioria prefere obter o fruto
para não se sentir solitário.
Você não, você pode conseguir sim,
É só lutar e verás a vitória
Com resplendor jamais visto antes.
Luta, crê, buscai energia em cada átomo de oxigênio.
Descobre a passagem sozinho,
E finalmente, saberá viver.