Hoje passei o dia pesquisando sobre brasileiros que estao em Londres.
Acabei encontrando o site de um
blogger que
parece que tem os mesmos interesses que eu. Soh pelo fato dele ter viajado
para Manaus e descido o rio em direcao a Belem eu achei a historia deste blogger
muito similar com uma trip que eu fiz para o Norte tambem.
Tudo comecou apos meu desligamento da ultima empresa que trabalhei,
em dezembro de 2002. Apos 3 anos de trabalho, parecia ser tudo o que
eu mais esperava em minha vida. Bem, a empresa me deu uma boa grana
e eu nao optei por outra, no dia seguinte eu ja sabia para onde iria.
Comecei a fazer minhas malas e fui visitar minha querida mae no centro
do Mato Grosso, em uma cidade chamada Santa Rita do Trivelato a 140km
de Lucas do Rio Verde, tambem em MT (esta ultima existe no mapa :).
A cidade era muito pequena e tinha menos de 1000 habitantes.
Minha primeira amizade foi o Joao, trabalhava em um deposito de material
para construcao, isso foi 1 semana depois que eu cheguei, ja estava
farto de passar os dias sem fazer nada e nao deu outra, acabei arregacando
as mangas e ajudando ele a fazer entregas. A ideia foi massa pq depois disso
conheci muita gente, em 1 semana no local eu ja conhecia praticamente todo
mundo na cidade. Por final acabei conhecendo o Pai do Joao, o dono
do material de construcao e tambem um eximio caminhoneiro, profissao
que eu almejava um dia praticar desde que tinha 7 anos de idade nas
viagens que fazia com meu pai quando ele era caminhoneiro. Finalmente
eu estava a beira de alcancar um sonho que tinha desde que era molecote
e logo veio o convite feito pelo Gringo (apelido do pai do Joao);
-- "Vamos subir pro Para?"
Nao deu outra. 3 dias depois, 5 da manha, como combinado, eu estava
com o travesseiro e uma mochila nas costas.
Em 26/12 partimos de Santa Rita do Trivelato em uma carreta (A brejeira)
mercedes benz, chassi de 1519 e motor de 1632, carregado com maquinario
agricola e destinado a Santarem no Para. Ele havia voltado pq o caminhao
que ele usou para ir na primeira vez quebrou o diferencial no meio do caminho,
levava tambem outro motorista, Ivel, para ajudar a trazer o outro caminhao
de volta.
Os 1600km rodados poderiam ser feitos em 20 horas. O grande problema eh
que existe um trecho de cerca de 1000km feitos em estrada de chao, com muita
lama e buraco. Nao se tem ideia do que pode acontecer, eh por isso que o
motorista de caminhao, numa situacao dessa sabe quando sai mas nao sabe
quando volta. Pelo caminho, varios vilarejos, alguns com pouco mais de 10
familias. Alguns deles contavam com telefones publicos, patrocinados com
as anteninhas da Embratel. A energia destes pequenos povoados eh proveniente
de motores a diesel e a agua nao eh problema. Contando a quantidade
de pontes existentes desde a fronteira do Mato Grosso com o Para ateh
Santarem no Para, cheguei ao numero 89. Rios de agua negra, me da
ateh vontade de beber agua soh de lembrar. Rios de agua cristalina formados
em bancos de areia, com paisagens paradisiacas em meio as formacoes
montanhosas da serra do Cachimbo. Paisagens em meio as montanhas
que poucos tem a capacidade de imaginar. Para dormir, estendi minha rede
ao longo da carreta e acordava no raiar do sol. A comida do meio dia saia
de uma cozinha improvisada, usavamos arroz, linguica defumada e feijoada
enlatada, era o maximo comer aquilo com a fome que era desenvolvida
durante a viagem. As vezes eramos obrigado a parar, a natureza mandava
agua e nao nos restava outra saida a nao ser esperar o ceu abrir um sol
para secar o solo que derretia em lama. Rodava o dia todo e soh parava
quando o sono vinha, la pelas 10 da noite. Finalmente, apos 5 dias de viagem
chegamos ao destino, cansados e loucos para ter contato com mulheres,
tomamos um banho, jantamos e fomos a uma boate. Teve showzinho e tal,
soh o fato de ver e poder conversar ja deu pra saciar, a noite nao estava tao
boa para ir ateh o fim. Voltamos e fomos dormir. Gringo acordou cedo
no dia seguinte, saimos para nos informar sobre como pegar a balsa
para chegar em Alenquer (uma cidadezinha a 200km depois do rio Tapajos).
Havia apenas 1 balsa que iria sair as 14:00. Paramos em um bar com mocas
ao redor para passar o tempo, acabei fazendo amizade com uma das mocas
e conversa vai e conversa vem acabei perguntando se nao tinha problema
eu ficar na casa dela pra gente conhecer Santarem. Nao deu outra, ela topou
e eu fiquei. Comentei com o Gringo, ele me prometeu que voltaria para buscar
apos resolver todos os pepinos com entrega de carga, ajuste do caminhao
que estava quebrado e tudo mais. No total fiquei 7 dias em Santarem, deu pra
conhecer as maravilhosas praias banhadas com agua doce do rio Tapajos,
conheci toda a familia da minha nova amiga, Ariane. As pessoas eram bem simples
mas eu gostei muito de conhecer todos que estavam ali. Durante os 3 primeiros
dias eu dormi de rede no quintal de um amigo da Ariane, a casa era antigassa,
no quintal haviam algumas arvores que facilitaram eu estender minha rede e ter minhas
noites de descanso. Em conversas com a Ariane, descobri que aquela familia
nao era a familia de sangue dela. Conversamos muito sobre o estilo de vida,
sobre profissoes, futuro e coisas do tipo, eu acabei aconselhando ela ir conhecer
o pai dela (a mae nao eh mais viva) e ela concordou comigo que isso poderia fazer
diferenca para a vida dela. No terceiro dia levei ela ateh o porto e ela foi para uma
cidade chamada Monte Alegre em busca de suas raizes. Como eu havia feito
amizade com a familia dela acabei ficando no quarto dela nos dias seguintes a espera
do Gringo. Durante este tempo eu rodei bastante pela cidade, me deparei com coisas
que nao sao muito boas para o turismo e ateh para a sociedade local, como esgoto
a ceu aberto que atraiam muitos urubus. Belezas haviam, o povo descende na grande
maioria de indios, ha predominancia de mulheres na cidade devido a uma guerra que
matou grande quantidade de homens no passado, a famosa divisao das aguas do
rio Tapajos e rio Amazonas eh tido como o simbolo da cidade, as festas e musicas
sao bem diferentes das que sao tocadas nas grandes capitais. Esse foi o desfecho
desta grande aventura que tive no norte do pais. Ateh a chegada do Gringo, a unica
noticia que tive da Ariane eh que o pai dela se encontrava em pessimo estado de saude,
de qualquer forma eu acho que a visita ainda teve seu valor pois ela pegou o pai dela
vivo.
Ei aprendi muita coisa nesta viagem. Agradeco ao meu amigo Gringo
que alem de ter me permitido realizar um sonho de infancia, proporcionou
muita divercao durante toda a viagem. Os mesmos 5 dias que levamos pra
chegar nos levamos para voltar e que eu cheguei em casa parecendo um homem
do mato, a cor da minha pele mudou bruscamente, peguei temperaturas bem
proximas aos 40 graus durante toda a viagem. Guardo recordacoes ateh hoje dessa
experiencia.
Alguns sites relacionados:
Santarem-PA
http://www.pa.gov.br/conhecaopara/santarem.asp
Alenquer-PA
http://www.pa.gov.br/conhecaopara/alenquer.asp
http://ximango.cjb.net
Alter do Chao-PA (com praias paradisiacas de agua doce)
http://www.supridad.com.br/assinantes/pirarara/alter09a.html
Estado do Para
http://www.pa.gov.br/
http://www.cdpara.pa.gov.br/